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AAP Comentada na Antena 1

Caros,

Antes de mais, meu nome é Nuno Vieira Matos, ateu mas não fosso associado.

Serve este email para vos informaro que a AAP e o seu comunicado referente à vergonha do nosso PR pertencer à comissão de honra da canonização do Nuno A Pereira, foi o tema do comentário da manhã de João Gobern na Anrtena 1.

Venho igualmente apelar a que respondam de forma categórica aos comentários do mesmo que pecam por um provincianismo tão pior quanto inesperado.

Desde já quero deixar os meus parabéns pelo trabalho feito por vós.

Cumprimentos,
Nuno Vieira Matos
http://lutaslivres.blogspot.com
 
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  • Luís Delgado
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    Também ouvi o comentário de João Gobem: excelente! É um homem inteligente e perspicaz.
    Como disse no seu comentário matutino, e bem, Portugal é conhecido por um país de brandos costumes, tolerante, e não deve admitir fanatismos nem talibanismos ateus, que recorram à ofensa, mesmo quando estão em causa interesses nacionais...

    Tal comentário, só pode indispor defensores da tirania, ou quem não anda por bem nestas terras...
  • Nuno Vieira Matos
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    Que é um homem inteligente e perspicaz não duvido que sou ouvinte atento. Contudo não posso deixar de mostrar o meu pesar pela rubrica de hoje. Numa tentativa de branquear a questão, João Gobern lembra os feitos heróicos de Nuno A Pereira (NAP), nomeadamente os feitos de guerra e políticos e, por fim, o despojamento terreno. Até aí tudo bem.

    Esquecem-se que o PR não vai integrar uma comissão de honra para homenagem a NAP, mas antes uma comissão de honra para a canonização de NAP. A canonização é um acto especificamente religioso e que não cabe no carácter laico de um Estado.

    "Tal comentário, só pode indispor defensores da tirania, ou quem não anda por bem nestas terras..."

    Ora aqui está. Ao contrário de si, para mim o carácter laico do Estado é um dos garantes da liberdade num país. O cenário mundial mostra que um Estado confessional anda mais perto da defesa da tirania que Estados laicos. Mas disto nada diz. Para rematar, o Luís ainda deixa antever que "nestas terras" o laicicismo é algo que não deve pegar e que devem ser catalogado de "fanatismo" e "talibanismo ateus". Parece que mais uma vez João Gobern errou na sua rúbrica com o "tolerante".
  • Luís Delgado
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    Desculpe-me, sr. Nuno Vieira, e por aqui me fico: Religião que é violenta não é religião! Num Estado confessional USA-SE a religião para interesses políticos, e fomentam-se guerras políticas envernizadas de religião: sempre assim foi, na história da promiscuidade destes dois poderes!

    O que é condenável - e que acontece frequentemente com grupos e associações que defendem a laicidade do Estado Português - é que recorram aos métodos que condenam (intolerância, ofensa, difamação, grosseria, mentira, meias verdades, imprecisões históricas...), sempre que se dirigem à Igreja Católica.

    A intolerância é detestável e condenável em todos os sentidos e dimensões, mesmo na "religião laica"...
  • Luís Delgado
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    Sr. Nuno Vieira,
    só mais uma nota final:
    Quanto à (desculpa) da "separação dos poderes" Igreja/Estado, conforme os senhores a defendem, não acha que seria lícito, lógico e justo, que o Estado começasse por entregar todo o espólio e património que roubou à Igreja? De igual modo, que tomasse à sua conta os hospitais psiquiátricos (muito trabalhosos e difíceis) da Ordem de S. João de Deus, a grande maioria dos lares de terceira idade e orfanatos, Centros de Dia, Instituições de apoio à mulher em risco e toxicodependência, infantários e creches... por esse País fora?

    Será difícil reconhecer o serviço social que se faz na maioria das paróquias (um serviço social, voluntário, desgastante, sem remunerações); dos préstimos da Igreja na educação, com as melhores escolas e os melhores alunos, como provam as estatísticas nacionais; o desgaste dos capelães nos hospitais (presto serviço em dois, do Alentejo, e nutro grande simpatia por estes homens pela sua honestidade e competência. Nas horas da noite, difíceis e solitárias para o doente, é uma das poucas vozes que soa pelas enfermarias, escutando, trazendo alento e conforto, e não (só) religião, como os senhores os acusam tão injustamente);
    Será difícil reconhecer, que 95% dos voluntários, concretamente nos hospitais, lares e outras instituições de solidariedade social, são católicos ou de formação católica?

    Desculpe que lhe diga, mas procuro não faltar à verdade: as associações laicas, o laicismo e ateísmo português, não têm feito até ao momento mais, do que os talibãs fizeram no Afeganistão, embora morbidamente. Está-me na memória a destruição das estátuas gigantes de Buda, Património que era da Humanidade! Vós, pautais-vos pelas mesmas regras de destruição, de uma cultura cristã que, quer queiramos ou não, é a nossa; e até o que tem de bom e positivo, quereis destruir, não olhando a meios...

    Portanto, caro amigo, quando falamos da separação dos poderes Igreja/Estado, não nos pronunciemos segundo os nossos interesses, ódios ou frustrações, mas trabalhemos todos no respeito mútuo, segundo os padrões da verdade, honestidade, justiça e liberdade, que conduzem a uma verdadeira democracia.

    Mas há uma questão religiosa em Portugal, para tanto chinfrim?
    Não merece a Igreja Católica um pouco de mais respeito?
  • Nuno Vieira Matos
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    Caro Luís,

    Obriga-me a responder a dois comentários em vez de um uma vez que "não ficou por ali".

    Em relação ao primeiro comentário: no Estado confessional, a política usa a religião mas a religião também faz uso da política. Não podemos achar que a parte má e vergonhosa é política e a parte boa e santificada a religião. A sharia é feita em nome de um deus e não por razões estritamente políticas. Voltamos à história do ovo e da galinha. Mas eis que você usa a palavra certa: promiscuidade. Exacto, não estamos a falar da política violando a religião mas antes uma relação de envolvimento mútuo.

    Tal como o Luís, também eu condeno a intolerância, grosserias, meias-verdades, etc. Tanto de um lado como do outro. Mas caro Luís, historicamente, os intolerantes, grosseiros ateus são meninas de coro perante o esmagador rol de exemplos dados pela igreja católica (já que o Luís especificou o "alvo"). Onde ficamos?

    Em relação ao segundo comentário que apelidou de "nota final" (mesmo?). A separação de poderes não é uma desculpa. Reafirmo, é um garante da liberdade. O Luís assumiu que eu, por ser ateu, não valorizo (quem sabe até escarneço) do serviço social feito por católicos. Engana-se. Ateu não equivale a besta. Ausência de religião não significa ausência de moral ou ética (se me permite, em alguns casos até reforça). Mas o Luís, avesso à desonestidade, traz uma meia verdade nesta arena argumentativa. As "obras sociais" têm lugar na atribuição de subsídios pelo Estado e regulação específica (IPSSS). Poderá argumentar que não chega, mas isso levar-nos-ia para outra discussão. Em relação ao papel da igreja na educação onde, como diz, tem as "melhores escolas" e os melhores alunos", eu respondo com o facto de que essas escolas são para elites que à partida têm condições sócio-económicas que permitem isso.

    Falando por mim, se não faço trabalho voluntário e afins é porque penso que não tenho qualificações suficientes para fazer o papel de psicólogo/educador. Eu acredito que essas funções devem ser desempenhadas por pessoal qualificado. Por muito boa vontade que tenha não acho que tenha as ferramentas necessárias para apoiar alguém que não conheça, para educar uma criança com passados problemáticos ou fazer um combate aos fogos responsável e eficaz. A fé, meu caro, não nos qualifica.

    Assim, quando falo de separação de poderes igreja/estado, não o faço de acordo com "interesses, ódios ou frustrações" mas antes com "respeito, segundo padrões de verdade, honestidade, justiça e liberdade".

    E em relação à sua última pergunta, posso lhe garantir que o respeito que tenho à ICAR (não confundir com servilismo) é bem maior que a ICAR, por intermédio dos seus ministros, tem por mim. Quanto a isso, meu caro, onde ficamos?
  • Luís Delgado
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    Sr. Nuno Vieira,
    Não tencionava responder-lhe, faço-o apenas por uma atitude de respeito, pois como termina com uma pergunta, suponho que pede uma resposta, a última, e muito breve.
    Amigo, não me parece grave não ter fé, mas muito grave não acreditar no que se vê e se pode palpar. No entanto, a volta que dá aos assuntos atrás mencionados, leva-me a crer que o sr. teve formação nas "Testemunhas de Jeová", pois não reconhece a realidade, o visível, nem o que se faz de positivo, parecendo responder sempre de "cérebro lavado".

    Respondendo directamente à sua pergunta final, basta comparar o trato da Igreja e o vosso em relação à Igreja. Pode confrontar a generalidade dos textos da "Associação República e Laicidade" e da "AAP", que confirmam com clarividência o que foi dito atrás.

    Amigo, tenha uns bons momentos de reflexão.

    Passe bem!
  • Luís Delgado
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    Já agora, só mais esta nota:
    dizia num dos seus comentários, que "O cenário mundial mostra que um Estado confessional anda mais perto da defesa da tirania que Estados laicos". Será verdade?
    O que foi o comunismo, na antiga a URSS? O Nazismo, na Alemanha? Os Khmers Vermelhos, no Camboja? A guerra do Vietnam? A Primeira e Segunda guerras mundiais?
    Resumindo, os piores momentos da história da humanidade, foram problemas religiosos?
    Nuno Matos, por vezes dizemos os maiores disparates mais por falta de reflexão, que por falta de conhecimento!

    A tirania, e outros males semelhantes, partem do interior do homem desiquilibrado, ganancioso, odiento, falhado, tonto; ligado a uma confissão religiosa, ou a uma ideologia de uma cor qualquer...

    Portanto, repito o que disse em comentários anteriores: valorizemos o Bem; detestemos o Mal. Sem lhes trocar o sentido.
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    A resposta (publicada no Diário Ateísta) seguiu para o Provedor do Ouvinte em forma de protesto.
     
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  • Maria Vieira Varela
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    Uma pergunta: Para se ser ateu, é necessário pensar?
    É que dizer que para se ser voluntário são necessárias qualificações... essa é de bradar aos céus (desculpem, não disse "céus" no sentido religioso)!

    Dar de comer aos doentes, ou em instituições de combate à pobreza; ajudar e acompanhar os velhinhos nos lares; ser bombeiro; distribuir alimentos e roupas (por ex., no Banco Alimentar, Cáritas, Cruz Vermelha e outras instituições); etc., etc., etc.... é necessário tirar um curso superior?

    Digam o que bem entenderem, mas não insultem quem trabalha e reparte o seu tempo precioso por quem precisa dele!
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    Maria Vieira Varela:

    O que tem a ver a solidariedade com a religião? A menos que seja uma forma interesseira de ganhar o Céu (seja lá isso o que for).

    Para se ser católico é que não é preciso pensar. Basta ser baptizado e as crianças são levadas à pia logo à nascença.

    Felicito os que generosamente praticam boas acções mas estas não exclusivas dos crentes e, muito menos, dos que inventam milagres.
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